Sábado, Março 25, 2006

Mr. Jones, síndrome bipolar e neuroquímica

Assisti ontem ao filme “Mr. Jones” com o Richard Gere. Pra quem não conhece, a história é sobre um homem que sofre da síndrome bipolar--basicamente o cara vai do êxtase à depressão com o estalar de dedos. Quando está “high”, ele é eufórico, hiper-ativo, alegre e incrivelmente cheio de vida. Isso não significa que ele está no paraíso, no entanto. Ataques de fúria, comportamentos altamente excêntricos e uma megalomania exagerada fazem a interação com o mundo “normal” extremamente problemática. Por outro lado, os problemas reais iniciam com a depressão. Como a maioria dos maníaco-depressivos, a depressão é debilitante, profundamente dolorosa e potencialmente suicida. A psiquiatra Kay Redfield Jamison escreveu um fantástico livro sobre a síndrome maníaco-depressiva (bipolar) chamado “Uma Mente Inquieta”. O livro é sobre as experiências da autora, ela própria vítima da síndrome. Outro livro interessante é “Tristeza Maligna” de Lewis Wolpert, que possui um capítulo dedicado a essa doença, além de ser uma excelente fonte sobre depressão em geral.

Mas voltando ao filme. Além da atuação impecável do Richard, o filme levantou algumas questões interessantes sobre identidade e como os diferentes estados de ânimo que enfrentamos são determinados por desequilíbrios químicos do cérebro. Até que ponto somos determinados pela nossa neuroquímica? Se tomássemos uma pílula que modificasse os nossos estados de ânimo completamente, deixaríamos de ser nós mesmos? O personagem do filme confronta sua psiquiatra diversas vezes no filme, afirmando que ele não é doente. A "doença" é parte de quem ele é. Você concorda com isso? Claro que poderíamos dizer que na medida em que não consegue interagir com o resto das pessoas, ele pode ser considerado doente. Mas suponha por um momento que pudéssemos "desligar" todos os aspectos negativos da doença, e ficar apenas com o "êxtase". Ele ainda estaria doente? E o que dizer de artistas, o exemplo clássico de pessoas altamente sensíveis emocionalmente? Acho que o conceito de identidade é muito escorregadio, e na medida em que pudermos alterar os nossos cérebros mais radicalmente, ele terá que ser repensado totalmente.

"If we could sniff or swallow something that would, for five or six hours each day, abolish our solitude as individuals, atone us with our fellows in a glowing exaltation of affection and make life in all its aspects seem not only worth living, but divinely beautiful and significant, and if this heavenly, world-transfiguring drug were of such a kind that we could wake up next morning with a clear head and an undamaged constitution-then, it seems to me, all our problems (and not merely the one small problem of discovering a novel pleasure) would be wholly solved and earth would become paradise."

ALDOUS HUXLEY1894 - 1963

12 Comments:

Anonymous Anônimo said...

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4/03/2007 2:34 PM  
Anonymous Thaisa said...

Muito interessante o texto e, para mim, foi particularmente bem útil lê-lo, pois apresentarei em breve um seminário para a disciplina de Psicologia, que será ilustrado com esse filme.

11/08/2007 6:01 PM  
Anonymous Veiga - rodolfoveiga@sapo.pt said...

Bom dia, também vi este filme e mais que uma vez, tenho-o por um motivo muito simples, sou um doente bipolar, posso afirmar na primeira pessoa que a questão do humor exagerado, o positivismo, a energia esta muito bem retratada no filme, há aqui um facto incontornável, mesmo se houvesse apenas o humor exagerado e não houvesse outra qualquer consequência muito provavelmente o organismo não suportaria fisicamente o excesso de actividade, pois uma pessoa na fase de hipomania ou mania tem muita energia mas pouco apetite e pouco sono, imaginando qualquer pessoa sem qualquer patologia que durante dias consecutivos praticamente não dormir, ter actividade fisica e intelectual intesa e alimentar-se mal conseguirá ver claramente que não é possivel não haver consequências.

5/29/2008 7:12 AM  
Blogger Paulo Henrique(Sarda) said...

Olá! Assisti uma parte do filme...achei um pouco que fantasiosa sobre os delírios de grandesa, mas tanto quanto reaias oas períodos de crise...Tenho TBH há 16 anos e faço tratamento a base de Litio. Nada de alcool ou estimulantes que me "acelerem", mas as vezes tenho de saber dosar de um pouko de cafeina...Bom, quanto ao filme...Uma mente brilhante enfoca mais os delirios que tive...Não que ganharei um nobel algum dia...Mas é mto parecido...Quem passou por uma U.T.I psiquiátrica sabe como é desconfortável um lençol de força...abraços!

12/01/2008 9:21 AM  
Blogger Anide said...

Somos o que escolhemos SER...isso nos define,além muito além disso é a nossa essência!!!a escolha de transformar esse desiquilibrio psicológico em uma poderosa arma é nossa, temos distúrbios diários mas o grande SEGREDO é conseguir encontrar o equilíbrio...acredito que esse fenômeno é mais uma evidencia da evolução da mente humana, estamos prestes a dar o próximo passo...a próxima SELEÇÃO NATURAL já começou...

1/16/2009 7:20 PM  
Blogger Ana said...

é engraçado pararmos para nos perguntar até que ponto a interferência química no tratamento terá uma participação apenas benéfica e não afetará a identidade do paciente. A verdade é que apesar de se sentir feliz com seus episódios maníacos, as consequências prejudiciais de seus comportamentos acabam fazendo com que essa doença precise ser tratada, não deixando dúvidas se devemos ou não administrar drogas.
Mas, se as pessoas pudessem passar por episódios maníacos sem prejuízos funcionais e sociais, o que não poderia ser um transtorno, certamente seria interessante.
=)

4/20/2009 11:00 PM  
Anonymous natalia said...

"Adoro" quando as pessoas relacionam euforia com alegria, felicidade, bem estar. Queria conhecer este lado da euforia, pois eu só conheço a euforia agressiva, grossa, cheia de xingamentos e mágoas. No máximo gastar todo o dinheiro com futilidades e no dia seguinte não ter nem pra comer, ou melhor preferir gastar o último dinheiro com com um maço de Marlboro ou Hollywood do que comprar 1 litro de leite.

6/08/2009 4:15 AM  
Anonymous Anônimo said...

Quero muito assistir este filme, pois sofri muito até descobri que tinha transtorno bipolar mas hoje esta sobre controle e já tentei comprar alugar este filme e não achei caso alguem queira me enviar meu e-mail é sjmnogue@hotmail.com 19-98298612 endereço av dro joão bravo caldeira 394 cep 13760-000 tapiratiba - sp Silmara Nogueira, preciso muito assisti-lo.

Grata

8/18/2009 8:07 PM  
Anonymous Anônimo said...

Este filme mostra que " o amor" , " a compreensão" , " o carinho" são de fundamental importância nessa patologia psicosocial causada pelo excesso de atividade cerebral aliada às frustrações cotidianas, não há massa cinzenta que agüente...., li o livro " Como combater a depressão de modo rápido", e me ajudou bastante.
Quem quiser o livro, entre em contato com andreluizangel@gmail.com

8/23/2009 11:58 PM  
Blogger PUGA said...

eu sou bipolar e quero muito ver eçe film.
quem souber onde encontra-lo em sp, please, contact me:
pyuga@hotmail.com
Tenho um livro ótimo para indicar:
Não sou uma só: diário de uma bipolar.
Eu vou fazer um sobre o meu caso.
Há 5 anos luto contra eça doença.

12/23/2009 1:16 PM  
Blogger PUGA said...

Meu livro se chamará "Eu sobrevivi ao TAB"
Há outro livro sobre o problema, da geração editoral, chamado Dentro da Casa Amarela.

12/23/2009 3:51 PM  
Anonymous Anônimo said...

Achei otimo o filme. Richard passa , e muito bem, a realidade e o sofrimento de pessoas que convivem com essa doença. Doença, esta, que só é tratavel com medicamentos e psicoterapias.
Lendo os comentarios abaixo, vi que citaram o filme, Uma Mente Brilhante. Este filme, na verdade trata-se da esquizifrenia(q é uma doença diferente do transtorno de humor bipolar). Jonh Nash foi um vitorioso.

9/20/2011 5:07 PM  

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