Segunda-feira, Março 27, 2006

Sobre o vício e a guerra contra as drogas

Citarei um trecho retirado do livro "Ponto de Desequilíbrio" do Malcolm Gladwell, num capítulo sobre o vício:

"A abordagem absolutista ao combate às drogas procede da premissa de que experimentação é igual a vício. Não queremos nossos filhos expostos à heroína, à maconha ou à cocaína porque achamos que o fascínio dessas substâncias é tão forte que até mesmo uma exposição mínima é suficiente. Mas você sabe o que dizem as estatísticas de experimentação de drogas ilegais? No Levantamento sobre Abuso de Drogas na Família, de 1996, 1,1% dos que responderam à pesquisa disseram ter usado heroína pelo menos uma vez. Mas apenas 18% desses 1,1% a tinham usado no ano anterior e no mês anterior apenas 9%. Esse não é o perfil de uma droga com um poder particularmente grande de fixação. Os números para a cocaína são ainda mais surpreendentes. Entre os que experimentaram a cocaína, menos de 1% - 0,9% são usuários habituais. O que esses números nos dizem é que a experimentação e o uso pesado são duas coisas totalmente distintas - que se uma droga é contagiante isso não significa automaticamente que ela se fixe. De fato, o número de pessoas que parecem ter experimentado cocaína pelo menos uma vez na vida deveria nos dizer que a necessidade que os adolescentes têm de tentar algo perigoso é quase universal. Isso é o que os adolescentes fazem. É assim que eles aprendem sobre o mundo e, na maioria das vezes - em 99,1% dos casos de cocaína - essa experimentação não resulta em nada de ruim."

...para pensar...

Ref: Eldredge, Dirk Chase. Ending the War on Drugs (Bridge Works Publishing, 1998) pp. 1-17

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